Como escolher o consultor de marketing certo para a sua clínica
- Denise Da Rocha

- 19 de mai.
- 3 min de leitura
A contratação de um consultor é uma decisão que tem impacto directo na trajectória da sua clínica. Consultores não são todos iguais. A competência varia substancialmente, e a decisão errada custa dinheiro e tempo.
Existem consultores generalistas que abordam "marketing de saúde" com o mesmo método que usam em e-commerce. Existem consultores que vendem receitas prontas sem compreender a realidade específica da sua clínica. Existem consultores que desaparecem após o contrato e deixam tudo à sombra.
As sete perguntas que apresento aqui servem para filtragem. Uma resposta fraca em qualquer uma delas deve gerar desconfiança.
1. Tem experiência real com clínicas privadas em Portugal?
Não aceite "experiência em saúde" vaga. Experiência significa ter trabalhado directamente com pelo menos 3-5 clínicas privadas no contexto português. Conhecer o sistema fiscal da saúde privada. Perceber a diferença entre uma clínica de dermatologia e um consultório de clínica geral. Saber como funciona realmente a recomendação médica neste mercado.
Pergunte exemplos concretos. Que clínicas? Em que especialidades? Quanto tempo? Qual foi o resultado mensurável?
2. Como mede retorno de investimento?
Um consultor que não fala em números não tem linguagem comum consigo. Marketing em saúde privada só existe se converter em agendamentos e receita.
A pergunta correcta é: "Como vai medir se este trabalho gerou resultado?" Se a resposta for vaga ("vamos ver o engagement nas redes"), ignore.
Respostas válidas incluem: rastreamento de origem de contactos, análise de custo por agendamento, taxa de conversão de website, volume de agendamentos por canal, impacto em receita mensal.
3. Compreende as regulações da publicidade médica em Portugal?
A publicidade médica tem limites legais. A Ordem dos Médicos e a ERS definem o que pode ou não ser comunicado.
Um consultor que não menciona isto está a colocá-lo em risco. Algumas práticas comuns noutros sectores são problemáticas em medicina. Comparações directas com concorrentes, por exemplo. Garantias de cura. Afirmações não substantiadas.
Pergunte: "Quais são as restrições legais que vai ter em conta?" Uma resposta que demonstre conhecimento específico é obrigatória.
4. Pode fornecer referências verificáveis?
Peça 3-4 nomes de clínicas com quem trabalhou. Não se contente com "depoimentos disponíveis sob pedido". Contacte directamente. Faça as perguntas importantes: o trabalho foi terminado no prazo? Os resultados foram reais? Continuam em contacto?
As melhores referências são clínicas que chegaram a si por recomendação interna desses mesmos clientes. Se isso não aconteceu, a relação provavelmente não correu bem.
5. O que promete em termos de confidencialidade?
A sua clínica tem informação sensível. Quantos pacientes, custo por especialidade, margem operacional, dados de faturação. Um consultor que trata isto como trivial é um risco.
Pergunte: "Como garante confidencialidade? Tem contrato de sigilo? Como são armazenados os dados?" A resposta deve ser clara, documentada e sem hesitações.
6. Tem uma metodologia clara?
O processo deve ser claro. Não "vamos trabalhar em estratégia" e pronto. Metodologia significa: fase de diagnóstico, fase de planeamento, fase de execução. Há entregáveis específicos? Há checkpoints? Há forma de sair da relação se não estiver a funcionar?
Um processo típico: diagnóstico (1-2 semanas), plano estratégico (2-3 semanas), execução com acompanhamento (3-6 meses).
7. Como comunica progresso e resultados?
Relatórios vazios não servem. Gráficos bonitos que não dizem nada, menos ainda.
Espere resposta que inclua: métricas específicas (não "engagement" genérico), comparação com ponto de partida, análise de causa, recomendação para próximos passos.
Red flags
Ignore consultores que prometem resultados em prazos irrealistas ("duplicar agendamentos em 2 semanas"), que não conhecem regulações da publicidade médica, que não conseguem dar referências, que tentam vender serviços adicionais antes de diagnóstico, ou que não têm contrato formal.
Converse com pelo menos dois consultores. Compare respostas às 7 perguntas. O consultor certo é aquele que entende o negócio, coloca métricas no centro da conversa e comunica com clareza.
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Sobre a autora: Denise Da Rocha é estrategista de marketing e vendas para médicos e clínicas privadas em Portugal. Com mais de 20 anos de experiência no sector da saúde, criou o Método DDR (Diagnosticar, Desenhar, Rentabilizar) para ajudar clínicas a construir faturação previsível. Saiba mais em denisedarocha.com.

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